Resenha de Appleseed Alfa 2014 (sem spoliers)

Conferi essa semana Appleseed Alfa (2014), um longa animado japonês de ficção científica feito em computação gráfica. Quando esbarrei com o trailer pela primeira vez (na verdade, com uma cena do filme), imaginei que fosse um game, daqueles bem porretas para Xbox1 ou PS4.

A trama se passa numa Nova Iorque apocalíptica que nos remete aos filmes de Neil Blomkamp. Prédios em ruínas, cyborgs, drones, mercenários e pobres cidadãos que só querem desfrutar mais um dia de vida num ambiente hostil que amarga o legado de uma guerra mundial. Em suma, aquele clima cyberpunk que todos conhecemos.

O visual é um dos pontos altos. Lembremos que o Japão entrou atrasado no bonde da animação por computador, visto que a resistência ao abandono das técnicas convencionais ainda é grande por lá. Não faltam exemplos de animes em CG que, apesar do ótimo enredo, deixam a desejar no quesito visual quando comparados a produções da Pixar ou da Lucas Films, incluindo aí dois longas anteriores da série Appleseed (Appleseed e Appleseed Machina). Já a versão de 2014, que dá um reboot na trama e nos personagens, é exceção à regra. Um sinal de que em breve os nipônicos também estarão dando tapa na cara dos ianques com suas animações em computador.

Os protagonistas de Appleseed são a mercenária Deunan e o cyborg Briareos (que no mangá original iniciava a história como humano para depois assumir sua forma semirobótica). Os dois trabalham para o gangster “Two Horns” e, após falharem numa missão importante, são mandados de volta à cidade para acabar com um ninho de drones, onde a virada que origina a trama principal tem início. (Calma! Não vou dar spoilers).

Como escrevi antes, trata-se de um reboot. Sendo assim, há diferenças entre a história do mangá, onde Deunan e Briareos são policiais de uma divisão antiterror, e a do longa, embora muito do background seja igual nas duas. Vale lembrar que o autor da série nos quadrinhos é o mesmo de outras pérolas do cyberpunk como Ghost in the Shell e Black Magic. Já a direção é de Shinji Aramaki, um dos baluartes da passagem da animação convencional para a computação gráfica em seu país.

Vale a pena assistir. Não tem o roteiro maduro e complexo de Ghost in the Shell. A trama é leve, direta, às vezes meio óbvia, mas funciona, fora o fato dos gráficos serem em si um deleite, mesmo rolando deslize no “peso” de uma cena aqui e ali. Dou quatro estrelas em cinco.

 

Confira o trailer e um sneek peak:

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  • O anime parece ser interessante. Porque pelo visual puro e simples parece um game mesmo, principalmente pelos trajes da personagem principal. Mas a sua resenha me deixou com vontade de ver pelo enredo que parece ser muito bom. Vou procurar por ele.

    PS: Eu não sabia que existia isso, mas compreendo que haja resistência no Japão à computação gráfica pois é através dos desenhos que quase tudo é feito por lá. Você condenaria milhares de artistas à obsolescência. Sem falar ao apego histórico e artístico aos desenhos e desenhistas.

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  • Guest - luiz mendes junior

    A animação por processo \"manual\" ainda tem muitas vantagens, algumas das quais o espectador comum não se conscientiza enquanto assiste. Fazer um personagem em CGI tirar uma camisa ou a calça durante a projeção deve ser uma das tarefas mais árduas, por exemplo.

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  • Sim, além dessa dificuldade técnica tem aquele aspecto que nós falamos ao telefone. O aspecto artístico da mídia, das cenas que só ficam legais usando a técnica convencional. O anime e o mangá são tudo pra eles. Pedir para que deixem isso pra trás acho difícil. A computação gráfica chegou pra ficar, mas vai ter que dividir espaço com as técnicas convencionais durante muitos anos ainda.

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  • Guest - Renato de Paula

    Já vi o Appleseed! Realmente excelente! Vale a pena parar pra ver. Já não digo o mesmo do novo Cavaleiros do Zodíaco! :(
    Quanto à questão de abandonarem o convencional para usar apenas computação, eu acredito que está mais perto de acontecer, infelizmente, já que o Studio Ghibli está \"Fechando as portas\". Na verdade o mestre Miyazaki está se aposentando. Sentirei falta dos desenhos como \"Meu vizinho Totoro\", \"A Viagem de Chihiro\", \"O Castelo Animado\" e por ai vai. São poucos os seus desenhos que ainda não assisti, e não teve um deles de que não gostei!
    Espero e torço, de coração, que não parem de produzir esse belo trabalho, mesmo que a computação gráfica tenha chegado pra ficar!
    Abraços!

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  • Espero que isso seja somente a aposentadoria do desenhista e não uma coisa generalizada, porque eu ainda prefiro os desenhos com a técnica convencional, principalmente os japoneses. Imagino que os demais profissionais do Studio Ghibli consigam alocação em outros lugares.

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  • Guest - Renato de Paula

    Bom pessoal, sobre o comentário que escrevi anteriormente...vale a pena dar uma lida nisso aqui:

    http://alemdooscar.pop.com.br/melhores-filmes-de-2014-vidas-ao-vento/

    É o próximo da minha lista para assistir.

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  • Esse longa que você mencionou é mais um pra lista. Vou procurar por ele. Aproveitando o ensejo comecei a ver o Claymore, o primeiro episódio é bem legal!!

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  • Cheguei a assistir esse filme e também outros do Appleseed, tanto é que achei interessante o fato de que essa filme fora feito em 3D, parecendo mesmo 3D. Porque os filmes anteriores foram feitos em 3D, mas usando o efeito de cellshading, que faz com que no final, ele se pareça com a animação tradicional.
    A animação japa já flerta com 3D a muito tempo, mas não costumava fazer o todo desta maneira. Acho que a advento do uso massivo em jogos está mudando um pouco a cultura do pessoal e tornando a coisa mais \"digerível\". Interessante que essa jogada está também sendo usada até no mangá, para facilitar muito o trabalho dos desenhistas.
    Quanto ao filme em si. Ele realmente não exatamente um primor de roteiro, sendo mais focado nos personagens do que exatamente no desenvolvimento da ambientação. Tecnicamente é muito bem realizado, mas não é tão profundo quanto outras obras. Fica como uma diversão mais descompromissada.

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