Resenha de jogos antigos : Serie The Journeyman Project PDF Imprimir E-mail
Artigos - Sobre Jogos
Escrito por Findreans ( Eduardo Castelhano )   
Qui, 27 de Maio de 2010 14:53

Em um passado bem longínquo, naquele tempo em que computadores com kit multimedia, entenda-se aqui com um leitor de CD, placa de som e caixas de som sem amplificação, acabei recebendo em minhas mãos já não me lembro de quem, o CD original de um jogo chamado The Journeyman Project ( O projeto do viajante, nome estranho não? ).

 

O jogo envolvia viagem no tempo. Para aqueles que se ligam em diversas mídias que envolvam historias com viagens no tempo, sabe que esse argumento é um daqueles do mais complicados, pois englobam muitos conceitos que são contraditórios e que geram muitas discussões acaloradas dependendo de quais conceitos quem estiver debatendo acredite.

 

A própria viagem no tempo é considerado uma possibilidade real que depende de algo próximo do irreal, para se viajar no tempo é necessário se atingir uma velocidade próxima da velocidade da luz. Então é uma possibilidade que depende de algo impossível.

 

Mas deixemos essa discussão filosófica de lado e voltemos ao jogo.

 

 

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Na historia deste jogo, o jogador assume a pele do Agente 5 da TSA, Temporal Security Agency ou Agencia de Segurança Temporal, a agencia responsável por impedir que ocorram alterações temporais. A população da Terra atingiu um estagio tão avançado de tecnologia que fora visitada por uma raça alienígena chamada Cyrollan que veio convidar o planeta para entrar em uma organização de alienígenas chamada Symbiotry of Peacefull Beings, algo como União dos Seres Pacíficos. Então passaram-se 10 anos de discussões se os humanos deveriam então entrar nesta união ou não.

 

Um cientista chamado Sinclair, acreditando que essa proposta envolvia uma possível invasão do planeta decidiu boicotar a mesma, para isso, ele decidiu alterar o fluxo temporal interferindo no andamento da evolução planetária, assim, evitando a evolução tecnológica que chamaria a atenção dos alienígenas. Como este cientista foi um dos projetistas da maquina do tempo, chamada de Pegasus, ele construiu uma versão da maquina e enviou para o passado 3 robôs com missões e destinos diferentes e sobrou para o Agente 5 viajar no tempo para impedir os tais robôs de alterar o passado.

 

 

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O jogo em si é um adventure em primeira pessoa, com visual e cenários 3d. Porem o jogo em si não é um jogo em tempo real, trata-se de telas que vão sendo atualizadas conforme o personagem anda e interage com o ambiente usando um sistema de point-and-click ( apontar e clicar ) e para se mover há um sistema de direções e que o jogador pode clicar neste ou usar o direcional. Sendo que o personagem se move para a frente, recua ou gira para os lados. A interação com os humanos é proibida, pois esta própria causaria uma anomalia temporal. Existem algumas situações de “Death Trap” ( Armadilha Mortal ) que é uma situação em que se o jogador executar a ação o jogo acaba instantaneamente.

Lembrando-se também que como o jogo se passa em um futuro muito para a frente, uma viagem ao passado no argumento do jogo, também pode se passar em um futuro para nós. ( Vocês entenderam né? ).

Há grandes sacadas, como quando o Agente 5 é envenenado por um dardo e precisa desenvolver um antídoto para o veneno antes de conseguir deter o robô. E a tela começa a demonstrar o efeito do veneno ( lembre-se o jogo é em primeira pessoa ).

Também há alguns chips que podem ser utilizados para o auxilio do agente.

 

Este fora feito em um tempo em que os computadores ainda eram muito limitados para se existir grandes gráficos, no entanto a escolha de se fazer telas pré-renderizadas, fez com que fosse possível ter um gráfico muito bom mesmo com a limitação existente.

 

O porem deste jogo é que o mesmo era muito lento, mesmo para a época, devido a plataforma utilizada para a criação, que era o software Macromedia Director que não era um software muito adequado para jogos. A posteriori, a empresa criadora do jogo, lançou uma versão do mesmo chamada Journeyman Project Turbo ( a versão que eu joguei ), um versão mais rápida do jogo, mantendo-se as características do jogo original.

 

The Journeyman Project Turbo ( lançado em 1992 ).

 

A Favor

- Argumento interessante

- Gráficos ( para a época ).

- Algumas situações possuem mais de uma solução.

 

Neutro ( A favor ou contra dependendo de quem jogue )

- Não há interações com outros humanos.( existe uma única exceção obvia ).

- Death traps.

 

Contra

- Lento ( mesmo a versão turbo ).

 

Tempos depois que havia já mostrado o jogo para outros camaradas, eis que conseguimos o jogo que continuou com a historia do nosso viajante temporal :

 

 

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The Journeyman Project : Buried in Time ( enterrado no tempo ).

 

Desta vez, Cage Blackwood ( sim, agora ele tem nome ), o Agente 5, começa a historia dentro de seu apartamento, quando ele é visitado repentinamente por... ele mesmo... ( ooops... paradoxo... ;)   ). Sua versão que surge a sua frente, lhe diz que no futuro ele fora acusado de cometer o crime de alterar o passado, então o Cage futurista lhe entrega uma roupa que mais parece um escafandro. Essa roupa é sozinha uma maquina temporal, um agente vestindo essa roupa pode viajar no tempo sem necessitar da Pegasus, que no futuro fora desmontada. A roupa, chamada de Travel Unit ( Unidade de Viagem ) também possui uma outra característica básica, ela pode deixar o agente invisível. Assim evitando interações com os humanos no passado e não causando anomalias. Após a entrega da roupa ao Cage do passado e este ficando invisível, aparece outro agente do tempo e leva o Cage do futuro preso. Cabe ao jogador agora com a roupa e com destino na mesma programado, viajar para descobrir quem incriminou Cage e está causando as anomalias temporais.

 

 

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Este jogo teve uma melhoria gráfica enorme e também sofreu uma mudança grande no software utilizado nele, que desta vez fora em linguagem C++.

 

O jogo manteve a mesma idéia de movimentação, só que desta vez o personagem pode olhar para o alto e para baixo, alem da movimentação anterior, o que aumentou a imersão no jogo. A invisibilidade pode ser acionada a qualquer momento, porem o personagem não pode se mover enquanto estiver invisível.

A roupa em si possui a possibilidade de se acrescentar chips que adicionam capacidade na roupa ( tal como no primeiro jogo ), tais como detector de anomalia e até um chip de IA ( Inteligência Artificial ).

 

Essa IA é que é uma das coisas que deu uma nova característica ao jogo, ao conseguir o chip desta IA e acrescentar a roupa, o personagem passa a ser acompanhado por Arthur ( o nome da IA ), um carinha que fica falando aos montes no jogo, em alguns momentos pode te oferecer dicas importantes do que fazer, mas em vários momentos você fica com vontade de desligar o mesmo.

 

Desta vez os cenários são muito mais antigos do que no jogo anterior e são muito bonitos, cada cenário pode ser visitado em qualquer ordem, porem os objetos que você recolhe em um cenário influencia no outro, o que significa que em alguns casos você acaba sendo obrigado a visitar o mesmo cenário mais de uma vez, fazendo com que veja as mesmas cenas mais uma vez e tenha que andar nos mesmos lugares.

 

 

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Os Death Traps continuam, desta vez há também alguns temporizados, que só ocorrem quando você se move naquele momento, se você para, eles são evitados.

Sua roupa possui também um armazenador adimensional, ou seja, um local de armazenamento que não possui dimensão, o que faz com que você possa carregar grandes quantidades de itens e itens de tamanhos grandes também.

 

Há momentos muito bem sacados na historia, como quando o personagem aparece flutuando no espaço( por um erro de tempo, ele perde a orbita de uma espaçonave e acaba aparecendo no meio do vazio porque ela se deslocou ) e tem que arrumar uma maneira de se deslocar no espaço para chegar a nave. Ahm... sua roupa também possui sistema de suporte de vida limitado, podendo até andar debaixo da água durante um tempo.

 

Outro grande destaque é o cenário que é o Atelier de Leonardo DaVinci, muito bem caracterizado.

 

Também pode-se ver outros agentes durante o andamento do jogo, também usando roupas semelhantes a sua ( o numero do agente aparece no capacete ).

 

The Journeyman Project : Buried In Time ( lançado em 1995 ).

 

A Favor

- Argumento interessante

- Gráficos muito bonitos.

- Pode-se jogar os cenários em qualquer ordem.

- Já aparecem muitos humanos.

 

Neutro ( A favor ou contra dependendo de quem jogue )

- Ainda não há interações com outros humanos.

- Death traps.

- Algumas soluções são lógicas mas até você perceber quais são...

- Arthur pode ser muito irritante e até estragar o jogo.

 

Contra

- Nada contra.

 

E depois de muitos outros anos, eu sabia que havia sido feito outro jogo continuando a serie, mas alem de não conseguir este acabei ficando muitos anos sem me lembrar desta serie. Agora pouco tempo atrás me lembrei deste e consegui arrumar uma copia do jogo,que já se tornou um abandonware. O jogo se chama Journeyman Project : Legacy of Time ( Legado do Tempo ).

 

 

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Agora Cage, o Agente 5, já liberado da acusação do jogo anterior, acaba sabendo que a TSA decidiu acabar com o projeto da viajem no tempo, com isso, foram desativadas todas as Travel Units ( Unidades de Viagem, a sua roupa ) por considerar que a viagem no tempo envolve muito risco. Cage não concorda com a medida, pois ainda existe um risco a solta ( não devo contar para não estragar o final do jogo anterior, para aqueles que decidirem jogar o mesmo ). Tentando arrumar um meio de conseguir viajar no tempo, Cage acaba descobrindo uma Travel Unit secreta que iria ser lançada, chamada de Chamaleon ( Camaleão ) que possui varias características das anteriores, porem tem a principal característica que lhe traz o nome, ela pode assumir a aparência de outra pessoa.

 

Então ocorre que surge uma anomalia temporal e Cage vai lá para investigar o ocorrido, descobrindo que a ameaça ainda existe e vários fatos desconhecidos vão sendo revelados.

 

O jogo manteve a plataforma anterior e a qualidade gráfica elevada para a época. Desta vez a diferença principal é a possibilidade de se mover a visão para qualquer direção livremente, não sendo mais tão travado quanto era antes.

 

 

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A capacidade da Travel Unit de assumir outras aparências é que traz uma renovada enorme no jogo, pois agora, FINALMENTE!, é possível interagir com outros humanos, mesmo estes falando outras línguas.

 

Há também muito envolvimento dos alienígenas nesta parte do jogo e Cage se vê em meio a muita política, rixas e desentendimentos.

 

Quanto aos cenários, diferente do jogo anterior que possuía cenários mais reais, Cage visita locais que não se sabem se existiram ou que são de ficção: Atlântida, El Dorado e Shangri-lá.

 

Não irei entrar em muitos detalhes aqui para não estragar muito do argumento para aqueles que não conhecem e pretendem jogar os jogos, mas devo admitir que esta serie como um todo me trás muitas lembranças boas.

 

The Journeyman Project : Legacy Of Time ( lançado em 1998 ).

 

A Favor

- Argumento interessante

- Gráficos muito bonitos e character design melhor que os anteriores.

- Interações com os humanos.

 

Neutro ( A favor ou contra dependendo de quem jogue )

- Death traps.

- Algumas soluções são lógicas mas até você perceber quais são...

- Novamente Arthur pode ser muito irritante e até estragar o jogo.

 

Contra

- Mesmo para a época foi considerado um jogo curto.

- As interações com os humanos podiam ter sido melhor exploradas.

 

A empresa responsável pelo jogo lançou uma compilação chamada The Journeyman Project Trilogy em 1998, reunindo os três jogos e segundo rumores, um roteiro para um quarto jogo chegou a ser escrito, porem acabou fechando as portas em 2002 e não levou mais a serie adiante.

 

Agora, nesta época fiquei sabendo do projeto abaixo :

 

The Journeyman Project : Pegasus Prime ( também teve o nome de Jorneyman Chronicles ).

 

Esse projeto seria um jogo FAN MADE ( feito por fã ), que iria ser uma espécie de remake da serie toda. Mas segundo eu li a respeito, assim como eu sempre vi acontecer com series fan made, esta é outra que parece que só vai ficar no papel, porque mais uma vez o grupo que iniciou a idéia acabou se dissolvendo e agora um novo grupo fora reunido, mas não me trás muitas esperanças.

 

Consultem neste link do responsável pelo andamento da iniciativa : http://www.vigilantec.com

 

 
Comentários (2)
Mais uma ótima pesquisa!
1 Sex, 28 de Maio de 2010 16:35
Chanceller Martok (Alexandro Paulo)
Cara, ótimo esse artigo! Confesso que jamais tinha ouvido falar desse jogo, mas parece muito bom. Vou procurar pra jogar. Isso me fez lembrar de como eu adoro jogos de Adventure, é um gênero que está quase morrendo, mas não poderia. É um gênero que privilegia o bom argumento, sem um enredo inteligente o jogo estava fadado ao fracasso. Novamente Parabéns.
Obrigado
2 Dom, 06 de Junho de 2010 18:19
Findreans ( Eduardo Castelhano )
Obrigado doutor.
Como eu me lembrava muita coisa dos jogos, não foi muito complicado escrever sobre eles... :) Devo escrever mais sobre outros... Estou pensando em quais...

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