Resenha do Livro: Fábulas do Tempo e da Eternidade PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Chanceller Martok (Alexandro Paulo)   
Dom, 26 de Abril de 2009 10:58

Está é a primeira resenha que faço de um livro, e foi uma boa escolha para essa resenha inaugural, o melhor adjetivo que descreveria a impressão que tive depois da leitura seria, “sensacional”.

 

Lembro-me da primeira vez que tive contato com um livro de contos, foi na escola, um livro de Machado de Assis. Confesso que na época não dei a importância que o livro e o novo gênero literário que tinha acabado de conhecer mereciam. Talvez por que na época da escola, muitas coisas nos parecem imposições. Só depois, mais velho, e já um apaixonado por ficção científica, por opção própria, lendo os contos de Asimov me dei conta do quão sensacional é um livro de contos.

Já ouvi umas críticas de alguns colegas, dizendo que não gostam do gênero, pois muitas histórias começam no meio algumas terminam sem dar aquela sensação de fim. Eles não se deram conta que o objetivo do conto é esse mesmo, lançar uma idéia, dar uma mensagem, despertar questionamentos usando fragmentos de história, fazendo com que o leitor participe do livro, entrando na história, raciocinando sobre ela, imaginando seu próprio final, ou se colocando no lugar dos personagens e bolando outras formas de lidar com as situações. Alem disso é uma oportunidade de visitar vários temas, várias épocas da humanidade, fantasiar sobre passado presente e futuro, ler um livro e ter a sensação de que leu vários.

Tudo isso é muito bem feito e explorado nesse livro de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade de Cristina Lasaitis. Quando o meu amigo Maykon praticamente me intimou a ler o livro, eu sabia que ia gostar, pois gosto muito de livros nesse estilo, só não sabia que iria gostar tanto. Ótima linguagem, narrativa, desenvolvimento, caracterização do ambiente e dos personagens, uma viagem surpreendente a várias épocas e temas. Uma prova de que temos potencial sim para escrever ficção científica de alto nível, e que nossa literatura pode abranger temas mais densos, mais sócio-políticos, coisa que não é feita com muita freqüência na literatura tupiniquim.

Nota para o conto “Assassinando o Tempo”, que é um dos melhores que já li, se conhecesse a autora pessoalmente, a primeira pergunta que faria a ela é, se aquela teoria é 100% de sua autoria. Uma forma intrigante de ver as coisas, o conto foi muito bem construído dando veracidade à teoria.

O livro também quebra alguns tabus, a maioria acha que ficção científica é falar sobre tecnologia, dispositivos futuristas e naves espaciais, nada disso, ficção científica sempre foi e sempre será sobre pessoas. Como cada um de nós encaixa em nossa sociedade, e como a sociedade age e reage em cada situação e em cada época e isso é muito bem desenvolvido nesse livro.

Não tenho palavras pra descrever mais o quanto eu gostei, sem entrar spoilers, recomendo esse livro a qualquer pessoa, mesmo que não costume ler ficção científica. É diversão garantida.

 

 
Comentários (6)
Viva o conto !!
1 Dom, 26 de Abril de 2009 18:45
RobCamp
Pois é , caro amigo Chanceller, eu também sou fã do conto. No meu caso, foi através desse formato que me aproximei da Ficção Científica, pelas mãos do mestre Arthur Clarke. Penso que a estrutura do conto é particularmente adequada a gêneros como Sci-Fi ou Fantasia pois permite ao autor desenvolver uma idéia ou situação audaciosa e seu desdobramentos, sem ter que "ralar" muito com detalhes que dêem maior embasamento à história, como cenários e aprofundamento de personagens. Pode deixar isso a cargo da imaginação do leitor, criando uma espécie de "parceria" muito interessante. Posso te dizer que em contos e novelas curtas já encontrei as idéias mais criativas em nossa querida Ficção Científica.
Saudações caro chanceler!
2 Seg, 04 de Maio de 2009 22:29
Maykon
Vou ver se consigo trazer aqui a escritora, em pessoa, para responder suas dúvidas... ;)

[]s
Prezado chanceller,
3 Seg, 04 de Maio de 2009 23:57
Cláudia Mansilha
A teoria do Não-Tempo é, na verdade, um desenvolvimento baseado na hipótese do universo blocado, aproveitando-se de uma brecha encontrada na equação Wheeler-DeWitt - uma tentativa de adaptar a relatividade geral à gravidade quântica, resultando numa função de onda que ignora (se assim podemos dizer) a dimensão do tempo, pois abrange toda a informação a respeito da geometria e da matéria no espaço-tempo.
Desse modo, a ponte entre as físicas quântica e clássica - que um dia nos levará a uma teoria unificada - foi construída ficcionalmente a partir da premissa da não-temporalidade.
Curti
4 Ter, 05 de Maio de 2009 00:25
Cris Lasaitis
Ei Chanceler, muito boa a sua primeira resenha do meu primeiro livro, obrigada, adorei!

Aliás, gostaria de publicá-la no meu blog, com os devidos linkamentos para cá, pode?

Beijos
Cris
e antes que me esqueça...
5 Ter, 05 de Maio de 2009 00:26
Cris Lasaitis
Parabéns pelo site! Estamos mesmo precisando de mais massa crítica scifi no Brasil.
Que Honra!
6 Ter, 05 de Maio de 2009 11:00
Chanceller Martok (Alexandro Paulo)
Cris, antes de mais nada obrigado pelo elogio e parabéns pelo livro, que realmente é muito bom.
Esteja a vontade para publicar a resenha no seu blog, seria uma honra!

Bjs.

Em tempo: Adorei o comentário da doutora Mansilha, confesso que ainda não entendi todo o conceito, mas com a explicação, posso começar a pesquisar sobre isso.

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